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O BURRO MORTO NO RIO E A EDUCAÇÃO INDUSTRIAL

  O BURRO MORTO NO RIO E A EDUCAÇÃO INDUSTRIAL Há histórias simples que, com o passar dos anos, revelam profundidades que antes não percebíamos. Uma dessas histórias era contada por minha mãe sempre que criticávamos o padre para justificar nossa ausência na missa. Ela dizia: “Um homem caminhava havia dias pelo deserto sem beber água. Exausto, com a garganta seca e o corpo enfraquecido, encontra finalmente um riacho de águas cristalinas. Desesperado pela sede, ajoelha-se e começa a beber. A água era fresca, limpa e tinha um sabor extraordinário. Nunca havia provado algo tão agradável. Depois de matar a sede, ele levanta a cabeça e percebe, alguns metros acima, um burro morto atravessado no curso do riacho. A água que ele acabara de beber passava por dentro da carcaça do animal.” Então minha mãe concluía: “O importante não é o caminho que a água faz. O importante é a sede que ela sacia. O padre não é Deus. É apenas um meio que Deus utiliza para transmitir sua mensagem.” ...

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O Labirinto do Recomeço: Expectativas e Realidade no Início de Ano

 



O Labirinto do Recomeço: Expectativas e Realidade no Início de Ano

O início de um novo ano carrega consigo um simbolismo poderoso: um convite ao recomeço, à construção de novas metas e à renovação de propósitos. Porém, embutido nesse convite, encontra-se um campo minado de expectativas, desejos e ilusões que podem nos desviar da verdadeira essência de nossos anseios e necessidades.

A expectativa é a esperança projetada, a ânsia de que o futuro nos recompense com realizações que confirmem nossas vontades. Desejar algo é humano, mas quando o desejo se transforma em uma expectativa irreal, estamos a um passo de criar ilusões que mascaram o movimento natural da vida. O perigo reside em esquecer que a vontade — essa força que impulsiona o querer — é, ao mesmo tempo, liberdade e responsabilidade.

Estabelecer metas é essencial para o direcionamento de nossas ações. Elas nos oferecem propósito e sentido, guiando nossas escolhas. No entanto, quando confundimos o objetivo com a necessidade, corremos o risco de transformar aquilo que é um desejo em algo que percebemos como imprescindível. Esse equívoco nos lança no território da abstração, onde o que se almeja não possui raízes firmes na realidade, mas sim em fantasias ou projeções idealizadas.

No limiar do ano, muitas vezes somos tomados por um êxtase temporário. É o êxtase da possibilidade, uma embriaguez de planos, resoluções e promessas que, por vezes, nada mais são do que uma fuga momentânea da realidade. Alucinações simbólicas, que criam a falsa sensação de que o simples ato de desejar ou querer será suficiente para transformar o amanhã. O problema é que a realidade, inevitavelmente, nos traz de volta ao chão.

No fim, o início de um novo ano nos desafia a equilibrar o que queremos com o que é realmente necessário. Essa é a chave para evitar a armadilha da ilusão e do desespero gerado por expectativas frustradas. Transformar desejo em meta, meta em propósito e propósito em ação concreta é o caminho para transitar pelo labirinto do recomeço sem perder o sentido da jornada.

Renovar é um ato consciente, que exige olhar para as condições reais da vida e agir com determinação. Alucinar, por outro lado, é entregar-se ao devaneio improdutivo, à espera passiva de que o destino cumpra o que nossa vontade não sustenta. No limiar de um novo ciclo, é vital perguntar: estamos prontos para enfrentar a realidade com coragem ou seremos prisioneiros de nossas fugas e abstrações?

A resposta a essa pergunta definirá não apenas o ano que se inicia, mas o tipo de vida que estaremos dispostos a construir.

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