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O BURRO MORTO NO RIO E A EDUCAÇÃO INDUSTRIAL

  O BURRO MORTO NO RIO E A EDUCAÇÃO INDUSTRIAL Há histórias simples que, com o passar dos anos, revelam profundidades que antes não percebíamos. Uma dessas histórias era contada por minha mãe sempre que criticávamos o padre para justificar nossa ausência na missa. Ela dizia: “Um homem caminhava havia dias pelo deserto sem beber água. Exausto, com a garganta seca e o corpo enfraquecido, encontra finalmente um riacho de águas cristalinas. Desesperado pela sede, ajoelha-se e começa a beber. A água era fresca, limpa e tinha um sabor extraordinário. Nunca havia provado algo tão agradável. Depois de matar a sede, ele levanta a cabeça e percebe, alguns metros acima, um burro morto atravessado no curso do riacho. A água que ele acabara de beber passava por dentro da carcaça do animal.” Então minha mãe concluía: “O importante não é o caminho que a água faz. O importante é a sede que ela sacia. O padre não é Deus. É apenas um meio que Deus utiliza para transmitir sua mensagem.” ...

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A Formação do Ego na Mitologia Persa (Zoroastrismo) e Sua Conexão com a Psicanálise Contemporânea

  



A Formação do Ego na Mitologia Persa (Zoroastrismo) e Sua Conexão com a Psicanálise Contemporânea

A mitologia persa, especialmente no contexto do Zoroastrismo, oferece uma rica simbologia para compreender a formação do ego humano. Essa religião dualista apresenta uma visão do universo como um campo de batalha entre duas forças opostas: Ahura Mazda, a divindade do bem, sabedoria e luz, e Angra Mainyu, a personificação do mal, trevas e destruição. Esse conflito é refletido no interior do ser humano, cuja natureza também carrega elementos dessas polaridades.

No Zoroastrismo, o ego pode ser interpretado como o palco onde se desenrola essa luta entre virtude e pecado. A doutrina zoroastriana incentiva os indivíduos a buscarem a retidão moral e espiritual por meio do pensamento correto (Humata), da palavra correta (Hukhta) e da ação correta (Hvarshta). Essa é a jornada do ego em direção à harmonia com o bem e à resistência às influências negativas. Essa batalha interna é vista como essencial para o progresso não apenas individual, mas também coletivo, uma vez que cada pessoa tem o dever de contribuir para o triunfo de Ahura Mazda sobre Angra Mainyu.

Ao traçarmos um paralelo com a psicanálise, podemos perceber que o dualismo zoroastriano ecoa na dinâmica entre as instâncias psíquicas propostas por Sigmund Freud: o id, o ego e o superego. O id representa os impulsos primitivos e as paixões, frequentemente associados ao lado destrutivo e instintivo da natureza humana — um reflexo de Angra Mainyu. O superego, por sua vez, simboliza o ideal de virtude e os valores morais internalizados, alinhando-se às qualidades de Ahura Mazda. O ego, situado entre essas duas forças, desempenha o papel de mediador, buscando um equilíbrio entre os desejos inconscientes do id e as exigências do superego.

Essa dinâmica interna, tanto no Zoroastrismo quanto na psicanálise, sublinha a importância da consciência na formação de uma identidade equilibrada e no enfrentamento dos desafios morais e psicológicos. No Zoroastrismo, o ser humano é chamado a exercer o livre arbítrio para escolher o caminho do bem, fortalecendo assim a presença de Ahura Mazda em sua vida e no mundo. De maneira semelhante, na psicanálise, o ego deve desenvolver mecanismos de defesa saudáveis e uma capacidade de autocrítica para enfrentar os conflitos internos de forma construtiva.

Atualmente, essa compreensão da formação do ego como um processo dialético entre forças opostas é particularmente relevante. Vivemos em uma época marcada por dilemas éticos, polarização social e desafios psicológicos intensos. Nesse contexto, a analogia zoroastriana da batalha entre o bem e o mal pode servir como um modelo simbólico para a busca de equilíbrio e integridade em um mundo complexo. Da mesma forma, a psicanálise oferece ferramentas valiosas para compreender e trabalhar os conflitos internos, permitindo que o indivíduo não apenas sobreviva, mas floresça em meio às adversidades.

Assim, a formação do ego, vista através das lentes do Zoroastrismo e da psicanálise, emerge como um processo essencial para a realização do potencial humano. A consciência desse processo não apenas enriquece a compreensão de nossa própria natureza, mas também oferece direções para um engajamento mais significativo com o mundo e com os outros, fundamentado em valores de retidão, empatia e responsabilidade.

Referências

Campbell, J., & Moyers, B. (2022). O poder do mito. Palas Athena Editora.

CAMPBELL, Joseph.  As máscaras de Deus. Mitologia Ocidental. Tradução Carmen Fischer. - São Paulo: Palas Atenas 1992. 424 p.

Freud, S. (2020). Sigmund Freud: obras completas (Vol. 17). Wisehouse.

Urban, E. (2005). Fordham, Jung and the self: a reexamination of Fordham's contribution to Jung's conceptualization of the self. Journal of Analytical Psychology, 50(5), 571-594.

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