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O BURRO MORTO NO RIO E A EDUCAÇÃO INDUSTRIAL

  O BURRO MORTO NO RIO E A EDUCAÇÃO INDUSTRIAL Há histórias simples que, com o passar dos anos, revelam profundidades que antes não percebíamos. Uma dessas histórias era contada por minha mãe sempre que criticávamos o padre para justificar nossa ausência na missa. Ela dizia: “Um homem caminhava havia dias pelo deserto sem beber água. Exausto, com a garganta seca e o corpo enfraquecido, encontra finalmente um riacho de águas cristalinas. Desesperado pela sede, ajoelha-se e começa a beber. A água era fresca, limpa e tinha um sabor extraordinário. Nunca havia provado algo tão agradável. Depois de matar a sede, ele levanta a cabeça e percebe, alguns metros acima, um burro morto atravessado no curso do riacho. A água que ele acabara de beber passava por dentro da carcaça do animal.” Então minha mãe concluía: “O importante não é o caminho que a água faz. O importante é a sede que ela sacia. O padre não é Deus. É apenas um meio que Deus utiliza para transmitir sua mensagem.” ...

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Do Inconsciente ao Sagrado: A Formação do Ego na Psicanálise e na Mitologia Ashanti (Gana):

 


Do Inconsciente ao Sagrado:

A Formação do Ego na Psicanálise e na Mitologia Ashanti (Gana):

A formação do ego é um tema central na psicanálise e em diversas tradições culturais, incluindo a mitologia africana. Ao explorar essas perspectivas, podemos compreender melhor como o ego se estrutura e se manifesta na vida contemporânea, particularmente em relação à autoafirmação e à identidade.

Na psicanálise, o ego é visto como uma instância psíquica que mediatiza as demandas do id, do superego e da realidade externa. Sigmund Freud descreveu o ego como uma estrutura que busca equilibrar os impulsos instintivos com as normas sociais, enquanto Carl Jung ampliou essa compreensão ao enfatizar a integração de aspectos conscientes e inconscientes do eu. O ego, nesse contexto, é tanto uma arena de conflitos quanto um agente de integração e autoconsciência.

Na mitologia Ashanti, de Gana, a formação do ego humano pode ser simbolizada pela relação com Nyame, o deus supremo do céu, que governa sobre todos os aspectos da vida. Nyame representa a fonte de sabedoria e ordem, e o respeito às suas leis e aos ensinamentos dos ancestrais é visto como essencial para o desenvolvimento do indivíduo. A conexão com Nyame e os antepassados não apenas orienta o comportamento, mas também molda a identidade e o senso de pertencimento à comunidade. Nesse sistema, o ego não é apenas uma entidade autônoma; é profundamente interconectado com o coletivo e com o universo espiritual.

Essa abordagem é distinta da compreensão ocidental individualista do ego, que frequentemente valoriza a autonomia pessoal e a autoafirmação em detrimento da interdependência. No entanto, há um paralelo importante: tanto na psicanálise quanto na mitologia Ashanti, a formação do ego envolve um processo de negociação e equilíbrio. Enquanto Freud destacava a necessidade de harmonizar os desejos do id e as restrições do superego, a mitologia Ashanti sugere que o ego se forma através da harmonização entre o indivíduo, o coletivo e o divino.

Atualmente, o processo de autoafirmação é profundamente influenciado por essas dinâmicas. Em um mundo marcado por desafios como o individualismo extremo, a desconexão com a natureza e a perda de vínculos comunitários, a mitologia Ashanti oferece uma perspectiva poderosa e renovadora. Ela nos convida a considerar que a autoafirmação não precisa ser um ato de oposição ou separação, mas pode ser uma integração harmoniosa entre o eu e o coletivo, entre o mundo material e espiritual.

As mitologias africanas continuam a desempenhar um papel vital na moldagem de identidades culturais e espirituais, especialmente para as comunidades da diáspora. Elas oferecem uma base para a resistência cultural e para a construção de um ego que reconheça tanto a individualidade quanto a interdependência. Assim, integrar as lições da psicanálise e da mitologia Ashanti pode enriquecer nossa compreensão da formação do ego e nos ajudar a navegar pelos desafios da autoafirmação nos tempos modernos, promovendo um equilíbrio entre autonomia e conexão.

Referências

Campbell, J., & Moyers, B. (2022). O poder do mito. Palas Athena Editora.

Freud, S. (2020). Sigmund Freud: obras completas (Vol. 17). Wisehouse.

Franchini A.S. As melhores histórias da mitologia africana/A. S. Franchini & Caren Seganfredo. – Porto Alegre, Rs: Artes e Ofícios, 2011 3ª edição.

Ford, C. W. (1999). O herói com rosto africano: mitos da África. Selo Negro.a

Urban, E. (2005). Fordham, Jung and the self: a reexamination of Fordham's contribution to Jung's conceptualization of the self. Journal of Analytical Psychology, 50(5), 571-594.

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