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O BURRO MORTO NO RIO E A EDUCAÇÃO INDUSTRIAL

  O BURRO MORTO NO RIO E A EDUCAÇÃO INDUSTRIAL Há histórias simples que, com o passar dos anos, revelam profundidades que antes não percebíamos. Uma dessas histórias era contada por minha mãe sempre que criticávamos o padre para justificar nossa ausência na missa. Ela dizia: “Um homem caminhava havia dias pelo deserto sem beber água. Exausto, com a garganta seca e o corpo enfraquecido, encontra finalmente um riacho de águas cristalinas. Desesperado pela sede, ajoelha-se e começa a beber. A água era fresca, limpa e tinha um sabor extraordinário. Nunca havia provado algo tão agradável. Depois de matar a sede, ele levanta a cabeça e percebe, alguns metros acima, um burro morto atravessado no curso do riacho. A água que ele acabara de beber passava por dentro da carcaça do animal.” Então minha mãe concluía: “O importante não é o caminho que a água faz. O importante é a sede que ela sacia. O padre não é Deus. É apenas um meio que Deus utiliza para transmitir sua mensagem.” ...

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As Mitologias do Oriente Médio: A Mitologia Mesopotâmica e o Desenvolvimento do Ego na Psicanálise



 As Mitologias do Oriente Médio:

A Mitologia Mesopotâmica e o Desenvolvimento do Ego na Psicanálise

A mitologia mesopotâmica, uma das mais antigas e ricas do mundo, oferece um panorama fascinante para compreendermos aspectos do desenvolvimento do ego sob a lente psicanalítica. Através de suas narrativas mitológicas, é possível explorar os conflitos internos e externos enfrentados pelo ser humano em sua busca por identidade, transcendência e autoconhecimento.

Uma das figuras centrais desta tradição é Gilgamesh, o lendário rei de Uruk, cujas aventuras estão narradas na Epopeia de Gilgamesh, considerada a obra literária mais antiga da humanidade. Gilgamesh, descrito como dois terços divino e um terço humano, simboliza o ego em constante tensão entre o desejo por imortalidade e as limitações impostas pela condição humana. Sua jornada pode ser interpretada como um processo de individuação, termo cunhado por Carl Gustav Jung, que descreve o movimento do ego em direção à totalidade psíquica.

No início da narrativa, Gilgamesh é retratado como um líder tirânico e egocêntrico, refletindo um ego inflado e desconectado de sua dimensão coletiva e espiritual. A chegada de Enkidu, seu igual e complementar, marca o primeiro desafio significativo ao ego de Gilgamesh. Enkidu, criado pelos deuses a partir da natureza selvagem, representa o outro e a necessidade de integrar aspectos instintivos e primordiais da psique. Sua amizade profunda transforma Gilgamesh, despertando nele um senso de empatia e responsabilidade.

A morte de Enkidu é um evento crucial que catalisa a busca de Gilgamesh por imortalidade, levando-o a enfrentar forças divinas e sobrenaturais. Esta busca é permeada por provas que simbolizam os desafios do ego ao confrontar sua própria finitude e sua relação com o inconsciente coletivo. O encontro com figuras como Utnapishtim, o sobrevivente do dilúvio, oferece insights sobre a aceitação da mortalidade e a busca por um legado que transcenda a existência física.

Na psicanálise, o ego é frequentemente desafiado por forças do inconsciente, que podem ser comparadas às forças sobrenaturais da mitologia. Essas narrativas sugerem que o desenvolvimento do ego exige o reconhecimento de seus limites e a integração de elementos conscientes e inconscientes da psique. Gilgamesh, ao final de sua jornada, retorna a Uruk transformado, não mais obcecado pela imortalidade, mas consciente do valor de sua humanidade e do impacto que pode deixar em seu reino.

Assim, a mitologia mesopotâmica nos oferece um arcabouço simbólico rico para compreender os dilemas e desafios do ego. Ao relacionar essas narrativas à psicanálise, percebemos como a busca por autoconhecimento e transcendência é um processo universal, presente tanto nas histórias antigas quanto nas jornadas individuais contemporâneas.

Referências

Campbell, J., & Moyers, B. (2022). O poder do mito. Palas Athena Editora.

Freud, S. (2020). Sigmund Freud: obras completas (Vol. 17). Wisehouse.

Franchini A.S. As melhores histórias da mitologia africana/A. S. Franchini & Caren Seganfredo. – Porto Alegre, Rs: Artes e Ofícios, 2011 3ª edição.

Urban, E. (2005). Fordham, Jung and the self: a reexamination of Fordham's contribution to Jung's conceptualization of the self. Journal of Analytical Psychology, 50(5), 571-594.

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