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O BURRO MORTO NO RIO E A EDUCAÇÃO INDUSTRIAL

  O BURRO MORTO NO RIO E A EDUCAÇÃO INDUSTRIAL Há histórias simples que, com o passar dos anos, revelam profundidades que antes não percebíamos. Uma dessas histórias era contada por minha mãe sempre que criticávamos o padre para justificar nossa ausência na missa. Ela dizia: “Um homem caminhava havia dias pelo deserto sem beber água. Exausto, com a garganta seca e o corpo enfraquecido, encontra finalmente um riacho de águas cristalinas. Desesperado pela sede, ajoelha-se e começa a beber. A água era fresca, limpa e tinha um sabor extraordinário. Nunca havia provado algo tão agradável. Depois de matar a sede, ele levanta a cabeça e percebe, alguns metros acima, um burro morto atravessado no curso do riacho. A água que ele acabara de beber passava por dentro da carcaça do animal.” Então minha mãe concluía: “O importante não é o caminho que a água faz. O importante é a sede que ela sacia. O padre não é Deus. É apenas um meio que Deus utiliza para transmitir sua mensagem.” ...

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A FORMAÇÃO DO EGO SEGUNDO A MITOLOGIA ROMANA



 A FORMAÇÃO DO EGO SEGUNDO A MITOLOGIA ROMANA

A formação do ego é um tema central tanto na mitologia romana quanto na psicanálise, refletindo as dinâmicas de poder, identidade e controle que moldam a experiência humana. A mitologia romana, repleta de narrativas sobre deuses e heróis, oferece um rico arcabouço simbólico que permite compreender o desenvolvimento psíquico do indivíduo, enquanto a psicanálise fornece uma estrutura teórica que organiza esses elementos em um modelo compreensível.

Na mitologia romana, deidades como Júpiter representam a suprema autoridade e a imposição da ordem sobre o caos, uma analogia clara ao desenvolvimento do ego conforme descrito por Sigmund Freud. Júpiter, como governante do panteão romano, não apenas estabelece leis e normas para os outros deuses e para a humanidade, mas também enfrenta desafios constantes que testam sua posição de poder. Da mesma forma, o ego, na teoria freudiana, é responsável por manter o equilíbrio entre as forças primordiais do id e as exigências morais e sociais do superego.

Freud propõe uma estrutura psíquica composta por id, ego e superego. O id representa os impulsos primitivos e inconscientes, sendo a fonte de desejos e necessidades instintivas, como fome, sede e prazer. O ego, por sua vez, emerge como mediador entre essas forças instintivas e a realidade externa, permitindo que o indivíduo navegue pelo mundo de maneira adaptativa. O superego, por fim, representa a interiorização das normas e valores sociais, funcionando como uma instância reguladora que impõe limites ao comportamento impulsivo do id.

Dentro dessa estrutura, Júpiter pode ser visto como uma personificação do ego, pois é ele quem estabelece limites e ordena o cosmos. Ele se contrapõe a figuras como Baco, o deus do vinho e da loucura, que encarna os desejos descontrolados do id, e a Saturno, um deus ligado à ordem, disciplina e tradição, que pode ser associado à função do superego. Essa leitura da mitologia através do prisma da psicanálise demonstra como os mitos antigos refletem, em um nível simbólico, os conflitos internos que definem a experiência humana.

A estrutura psíquica descrita por Freud e influenciada por mitos e arquétipos antigos continua a ter ressonância na sociedade moderna. O conceito de um ego forte e equilibrado se reflete na busca contemporânea por liderança, autorrealização e controle sobre a própria vida. A narrativa mitológica de Júpiter, que constantemente precisa reafirmar sua posição de poder ao enfrentar desafios e subjugar outras forças, ecoa na cultura atual, onde os indivíduos são incentivados a afirmar sua identidade e exercer autonomia em suas decisões.

Além disso, a relação entre mitologia e psicanálise também pode ser observada no modo como as sociedades modernas estruturam seus padrões de comportamento e identidade. A influência do superego, por exemplo, pode ser percebida na forma como instituições sociais, como religião, família e escola, impõem regras e valores que moldam o desenvolvimento individual. Paralelamente, a presença do id ainda se manifesta em aspectos culturais que valorizam o prazer, a expressão emocional e a satisfação dos desejos.

Assim, a mitologia romana oferece um arcabouço simbólico essencial para compreendermos a dinâmica do ego, um conceito que continua a influenciar as construções psicológicas e sociais do mundo moderno. A interseção entre psicanálise e mitologia revela um ciclo atemporal no qual os mitos fornecem uma linguagem simbólica para descrever as forças psíquicas que operam dentro de cada indivíduo. Dessa forma, o estudo das antigas narrativas mitológicas aliado à psicanálise permite uma compreensão mais profunda das dinâmicas humanas e de sua influência na forma como moldamos nossa própria identidade.

Referências

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CAMPBELL, Joseph.  As máscaras de Deus. Mitologia Ocidental. Tradução Carmen Fischer. - São Paulo: Palas Atenas 1992. 424 p.

Dixe, S. (2021). Os deuses são uma funcção do estylo: A mitologia clássica na história cultural da Europa. Teoliterária, 11(23), 343-379.

Freud, S. (2020). Sigmund Freud: obras completas (Vol. 17). Wisehouse.

Jung, C. G. (2018). Os arquétipos e o inconsciente coletivo Vol. 9/1. Editora Vozes Limitada.

Lopes, A. J. (2018). Sigmund Freud-O manuscrito inédito de 1931: As aventuras e desventuras de um texto e as ideias desconhecidas de Freud sobre o cristianismo e a sublimação. Estudos de Psicanálise, (50), 39-57.

Monteiro, M. (2023). Medo, Incômodo Permanente e Ressignificação Simbólico-Religiosa:: A morte na visão das religiões judaica, cristã e islâmica. UNITAS-Revista Eletrônica de Teologia e Ciências das Religiões, 11(1).

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