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O BURRO MORTO NO RIO E A EDUCAÇÃO INDUSTRIAL

  O BURRO MORTO NO RIO E A EDUCAÇÃO INDUSTRIAL Há histórias simples que, com o passar dos anos, revelam profundidades que antes não percebíamos. Uma dessas histórias era contada por minha mãe sempre que criticávamos o padre para justificar nossa ausência na missa. Ela dizia: “Um homem caminhava havia dias pelo deserto sem beber água. Exausto, com a garganta seca e o corpo enfraquecido, encontra finalmente um riacho de águas cristalinas. Desesperado pela sede, ajoelha-se e começa a beber. A água era fresca, limpa e tinha um sabor extraordinário. Nunca havia provado algo tão agradável. Depois de matar a sede, ele levanta a cabeça e percebe, alguns metros acima, um burro morto atravessado no curso do riacho. A água que ele acabara de beber passava por dentro da carcaça do animal.” Então minha mãe concluía: “O importante não é o caminho que a água faz. O importante é a sede que ela sacia. O padre não é Deus. É apenas um meio que Deus utiliza para transmitir sua mensagem.” ...

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Filósofo: Essencial ou Irrelevante na Sociedade Atual?


 

Filósofo: Essencial ou Irrelevante na Sociedade Atual?

Na sociedade contemporânea, a figura do filósofo muitas vezes é vista como desnecessária ou até mesmo inútil. Para compreender essa percepção, é crucial explorar os graus de conhecimento delineados por Platão na alegoria da caverna, bem como os conceitos de crença, opinião, raciocínio e indução. Além disso, a perspectiva de Erich Fromm sobre o medo à liberdade oferece uma lente através da qual podemos entender melhor o papel do filósofo hoje.

Platão, em sua famosa alegoria da caverna, descreve prisioneiros acorrentados em uma caverna que só podem ver sombras projetadas na parede à sua frente. Essas sombras representam a percepção sensorial e o conhecimento limitado que dela deriva. Platão identifica quatro graus de conhecimento:

Imaginação (Eikasia): Os prisioneiros confundem as sombras com a realidade. Esta é a crença baseada em ilusões.

Crença (Pistis): Quando um prisioneiro vê os objetos reais que produzem as sombras, ele desenvolve uma opinião baseada em uma percepção um pouco mais próxima da realidade, mas ainda sensorial.

Raciocínio (Dianoia): Ao sair da caverna e observar o mundo exterior, o prisioneiro começa a usar o raciocínio e a indução para compreender a verdadeira natureza das coisas.

Inteligência (Noesis): Finalmente, ao contemplar o sol, o prisioneiro atinge o conhecimento verdadeiro e a compreensão das Formas, as essências imutáveis e perfeitas.

Platão distingue claramente entre crença e conhecimento. Crença e opinião são formas inferiores de entendimento, baseadas em percepções sensoriais e impressões subjetivas. Raciocínio e indução, por outro lado, são processos intelectuais que conduzem ao conhecimento verdadeiro. Na sociedade contemporânea, onde a informação é abundante e muitas vezes superficial, o papel do filósofo é essencial para fomentar o raciocínio crítico e a busca pela verdade, movendo-se além das sombras da opinião para a luz do conhecimento.

Erich Fromm, em seu livro "O Medo à Liberdade", argumenta que a liberdade pode ser assustadora para muitos, levando-os a buscar segurança em conformidade e autoritarismo. A liberdade implica responsabilidade e a necessidade de fazer escolhas, o que pode gerar ansiedade. Para evitar essa ansiedade, as pessoas muitas vezes se apegam a crenças e opiniões infundadas, evitando o questionamento profundo e a busca pela verdade.

Diante desse contexto, o filósofo não é um inútil, mas um guia essencial na jornada para a liberdade e o conhecimento. Em uma era de desinformação e superficialidade, o filósofo é aquele que desafia as crenças estabelecidas, questiona as opiniões populares e promove o raciocínio crítico. Ao fazê-lo, o filósofo ajuda a sociedade a sair da caverna da ignorância e enfrentar a luz da verdade, apesar do medo que essa liberdade possa gerar.

Portanto, longe de ser um inútil, o filósofo desempenha um papel crucial na construção de uma sociedade mais consciente e livre. Ele é um farol que ilumina o caminho da ignorância para o conhecimento, da conformidade para a liberdade, capacitando os indivíduos a pensar de forma crítica e viver de maneira autêntica

                                                                           Prof. Gabriel G. Oliveira

                                                                                   Psicanalista

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